Mamãe. Mamis. Pinkins. Pinkonetes.

 
Há uns 14 anos atrás o Miguel chegou em casa, na Espanha, e me viu falando com você pelo Skype. Ele também tinha nos visto conversando no dia anterior. E no anterior. E no anterior também. Ele me disse: "Todos os dias você tem alguma coisa para falar com a sua mãe?"

Eu quase não entendi a pergunta...

Claro que eu tenho sempre o que falar com você, né Mamis? É claro. Sempre, sempre eu tenho o que falar, porque mesmo se for só para dizer oi, escutar sua voz, isso é ter muito o que falar com você. Agora que estamos de novo vivendo a fase das videochamadas (diga-se de passagem, bem mais simples do que nossa fase do Skype), eu lembrei de quando também estávamos distante fisicamente e mesmo assim conseguimos construir pontes para estarmos juntas, pertinho, e sim, todos os dias. 

Desde o ano passado a nossa vida tem sido muito, muito difícil, e de todas as coisas que me atormentam sem dúvida a maior delas é estar longe de você e do Papai, é viver com o medo de que minha condição de trabalhar fora de casa possa colocar vocês diante do abismo que vivemos agora, com essa Covid que nos atormenta. Eu perdi um pouco o rumo nesta pandemia, e cheguei a ficar dias sem falar com você, mas o Ditchan me deu um último ensinamento, da forma mais dolorosa possível, e me trouxe de volta ao prumo, e desde então nossa conexão diária voltou e isso organizou totalmente minha vida.

É isso Mamis, sua existência organiza demais a minha vida. Organiza a vida do Nanan, do Papai, organiza demais a vida da Paulinha e do Luismi. Quando eles podem te ver nos intervalos em que o trabalho volta para casa e estamos quarentenados é como se os dois respirassem melhor, como se o peso do que estamos passando se equilibrasse um pouco mais. E ali, naquele encontro, naquele momento em que você organiza nossa vida, naquele conforto com sabor de gohan recém transformado em bolinho, quentinho, tudo faz sentido e o amor transborda.

Mamis, parabéns pelo seu aniversário, o 2º em quarentena... que nestes momentos difíceis possamos sempre lembrar de colocar em palavras o que estamos atravessando, do mesmo jeito que você coloca em pintura, e que nunca deixemos de preencher os espaços do estar juntas de todas as formas possíveis. Você é nosso sol!!!

Sim, eu tenho coisas para falar com a minha mãe todos os dias. Todos. Os. Dias.

Te amo Pinkonets. 

Comentarios

Rió ha dicho que…
Tão bom receber um presente como esse, um lindo texto cheio de carinho marcando nossos longos anos de convivência. Essa troca mãe/ filha, uma setentona, a outra adentrando os quarenta
é de uma riqueza porque cheio de aprendizado e troca afetiva. Amei! Te amo!
Rio

Entradas populares