Uma nova aventura... só eles dois.
Vocês acabaram de passar no portão do embarque... sem mim.
A primeira viagem para a Espanha sozinhos, só Paulinha e Luismi, e eu tenho certeza de que não será a última. São tantas sensações, tantos sentimentos que fica até difícil colocar em palavras, mas vou como sempre tentar organizar por escrito o que circula aqui dentro de mim. Porque esse dia de hoje, esse 12 de julho, é muito importante.
Nos últimos meses eu e o Miguel fomos experimentando esses pedacinhos de vida nos quais vocês tomam felizes da vida um rumo, um tempo, um aqui e agora, totalmente intenso e longe da gente. Viagem com amigos, finais de semana com o grupo, futebol, churrasco, cinema... e não mais que de repente surgiu essa ideia: será que é o momento de pensar na ida para a Espanha, só vocês dois? Aproveitar esta família paterna que vive longe, com tanta saudade de viver pertinho de vocês?
(Parei de escrever aqui porque não consegui continuar e agora, dois dias depois, com a casa vazia, volto a escrever. Pelo menos mais tranquila porque vocês estão com os pés firmes no chão espanhol, não mais voando com os comissários de bordo... rs...).
Bem, a ideia tomou corpo, todo mundo se animou, fizemos até um test drive para Brasília que deu super certo, e com idas e vindas acabamos decidindo por esta ida para Espanha, para Sevilha, para este tempo crescendo longe da gente. Os dois, Paulinha e Luismi, viveram esse momento de iniciar esta jornada de formas diferentes, cada um como sempre respeitando sua forma de ser. Mas conversando muito, pensando, fazendo planos, como fazemos, com tudo, foi vivendo tudo junto que construímos isso. E agora vocês já estão longe.
Eu sinto muito orgulho de meus filhos por terem enfrentado esta viagem, mas um orgulho com muita saudade... por isso que em parte escrevo a eles, em parte escrevo para não sei quem, acho que para mim mesma, que sinto uma dorzinha aguda aqui dentro, de ouvir este silêncio na casa, estas camas arrumadas, ver esses gatinhos sem um colinho no qual se achegar. Ainda bem que estou rodeada de gente que só me ajuda a ver as coisas como são: um voto de confiança, de crescimento, de dar coragem para que sigam em frente. De realmente tomar para si a missão de mãe, de ajudar os filhos a crescerem, com coragem. Quantas vezes minha mãe e meu pai não fizeram isso comigo? Eu sentia uma alegria enorme de tudo o que eles me ajudavam a sentir forças para viver, e voltava depois, renovada, e feliz, de encontrar a segurança dentro de casa para recompor as energias que acabam indo nisso tudo que é enfrentar o mundo.
Eu sei que a Paulinha e o Luismi vão voltar diferentes. E talvez isso dê um medinho, porque quando a gente é mãe tem esta ilusão de que vai sempre controlar todas as novidades, mudanças, escolhas, caminhos. Porque a gente esteve lá e ouviu o primeiro choro, ajudou quando deram os primeiros passinhos e sabe exatamente quando aquela roupa não serve mais. Mas eles vão crescendo e muitas vezes as mudanças só acontecem justamente porque a gente não está vendo, e é preciso sim dar coragem, especialmente no meu caso ao meu caçulinha, de que mesmo sem pai e mãe por perto, ele tem sim como crescer, e ganhar o mundo.
O mundo ainda espero que eles esperem um pouco, mas Sevilha, e a família, eles certamente estão já conquistando agora.
Amo vocês demais, Paulinha e Luismi, vou sentir, estou sentindo demais, saudade de vocês.
Mami.

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