O meu Nanan vai casar!



Nanan, você lembra da história que eu sempre conto de quando estávamos voltando juntos de ônibus, só nós, para casa, e você desceu no ponto e eu não consegui? E eu te contei como gritei e gritei dentro do ônibus e assim que desci e comecei a olhar para trás, lá vinha você correndo, pequenino, bochechas vermelhas, atrás do ônibus. Atrás de mim. Até hoje, tantos anos depois, eu lembro da responsabilidade que senti com tudo aquilo, lembro do abraço que a gente deu, e lembro de você, ali, menor que eu, que ficou sozinho no ponto, e não teve dúvida, saiu correndo atrás de mim. E lembro do alívio que senti quando peguei na sua mão de novo, com a certeza de que eu gritaria tudo o que fosse necessário, sempre, para te proteger e ser sempre sua irmã mais velha. 
Daquele dia no ônibus para hoje tantas coisas aconteceram, mas acho que aquela sensação de algum jeito passou a fazer parte de mim mais intensamente... eu queria cuidar de você, eu queria fazer tudo o que fosse preciso para ser a irmã que você precisasse, no momento que você necessitasse. Não só porque o Papai e a Mamãe precisavam, que um pouco também, não só porque tivemos que juntos nos apoiar para entender os momentos sem eles por uma luta maior, que com certeza, mas porque eu queria, porque percebi que nada me dava mais prazer do que fazer algo por você e para você.
Nem sempre pude ser tudo isso, claro, porque por mais irmã apaixonada que sempre fui, diferentemente do que muita gente já me disse, nunca fui sua mãe. O lugar da mamãe sempre foi o dela, claro, o do Papai o dele, e o meu, bem, o meu a gente foi fazendo juntos, do jeito que eu e você precisávamos.

Passamos por momentos mais próximos, momentos mais distantes, geograficamente, mas nas situações mais importantes sempre nos conectamos do jeito que a vida nos pedia. Nunca poderei agradecer o bastante aquele tempo em que você veio morar comigo na Espanha... seu apoio e cuidado  no final da gravidez do Luismi, sua presença com minha mini-Paulinha, seu jeito de cuidar dos sobrinhos e de mim, eu sei que se superei as dificuldades daqueles tempos foi porque você cuidou de mim. Eu nem precisei gritar atrás de um ônibus e agora era você que pegava firme na minha mão... e a isso eu sempre vou te agradecer meu Nanis.

Tantas coisas aconteceram neste nosso percurso, momentos tão extremos e duros, que custei a acreditar no milagre que estava prestes a acontecer...  tudo estava tão difícil, a gente sozinho em São Paulo no meio da prisão injusta do Papai e você encontrou o amor! Lembro como se fosse ontem, eu e você no carro, e seu relato... “conheci uma pessoa, estou gostando bastante dela...”. Meu coração quase derreteu de alívio: meu Nanan seguia lutando pela felicidade e estava encontrando um caminho! Sim Nanis, porque eu sabia que se tinha algo que me salvava  da loucura vinda a tristeza da injustiça era ter o Miguel, Paulinha e Luismi... e eu pensava: como ele vai aguentar? Quem vai puxar ele para acreditar na vida, quando tudo é só injustiça e incerteza?

E quem fez isso foi a Marilia.

Ela chegou tão delicada, tão no tempo dela e de vocês, mas com tanto brilho e tanta certeza de vida, que arrebatou seu coração como eu sempre sonhei que alguém faria com você. A cada momento da história de vocês, aqueles que eu pude acompanhar, claro, porque há o mundo todo de amor que é só de vocês, eu via com emoção o quanto você estava escrevendo uma história única de relação, entrega, generosidade e amor, muito amor.

Seu casamento é uma vitória da vida Nanis. Uma vitória.. Uma vitória da luta. Se naqueles tempos tão tristes você tivesse se entregado ao desespero provavelmente hoje eu não estaria chorando de emoção pelo seu casamento com a Marilia. Você seguiu o que o Papai nos pediu, não se entregou, não deixou que o medo te vencesse, não deixou que nos destruíssem. E com isso encontrou o amor! E que amor! 

Viva este amor construído com tanta verdade. O casamento de vocês dois é uma vitória da vida, da luta por seguir em frente, da garra do ser humano. É a história de duas pessoas que se uniram e junto colaram tantos corações também... Marilia querida, cunhada especial, você terá em mim sempre todo o apoio que precisar, e mais que isso, toda minha vontade de que vocês sejam muito felizes. Obrigada por ter salvado meu irmão quando ele mais precisou, por ter dado tanta vida à dele, obrigada por ter nos presentado de um jeito tão generoso, com sua própria família. Você merece ser muito feliz!!!!

E assim  a vida segue, feitas de gritos no ônibus, brincadeira de escolinha, e Jacutinga, sukiakis inesperados mas tão deliciosos, viagens, siestas, carinho, bebês, crianças, amor e vida. Vamos seguir essa nossa vida, sempre juntos. Este casamento deve se será mito celebrado, porque comemora a vida é um amor de verdade, que já é muito, já é tudo nesta vida. Sejam muito, muito felizes!

Te amo Nanan. Amo vocês! Um beijo,

Mimi

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