Paulinha, 9... 9... é, aceite, 9 anos.

São Paulo, 22 de novembro de 2015

Paulinha, todo ano eu escrevo a você uma carta, no dia do seu aniversário. As primeiras eram mais fáceis, eu queria escrever cartas de celebração pelo seu nascimento e eu sentia aquele momento ainda bem pertinho de mim, mas desde o ano passado que tenho sentido algo diferente quando chega seu dia... o tempo passando.... mais rápido? "Mami, não vem com essa" você diria, mas de repente olho para esta foto ao lado que eu amo tanto e não vejo mais aquele meu bebê amado. Vejo uma menina que está crescendo, com olhos que brilham e uma confiança na vida que é o que eu mais adoro neste mundo!

Minha filha, você já ouviu várias vezes que demorou 27 horas para chegar ao mundo. Mas o que eu não te disse muitas vezes é que sei plenamente que  todo este tempo necessário para sua chegada não foi uma necessidade só tua, foi minha também. Igual meus enjoos tão fortes no começo da gravidez, que para mim eram fruto de minha própria necessidade de ter certeza de que você estava comigo em minha barriga, esse montão de horas do parto foram as horas que você, mas eu, euzinha, também, precisei para aceitar que você ia sair mesmo de dentro da mim. Que a gente ia se separar... 

Mas a gente nunca se separou não é?

Não... você foi minha companheira desde sempre, aquela força que surgiu em momentos profundos e que sem a qual eu não teria sido metade do que fui. Porque desde que você chegou à minha vida, Paulinha, e depois seu irmão Luismi, tudo fez muito sentido para mim, e não existe um momento a ser desperdiçado ou lamentado. Porque tenho vocês, meu sonho, minha felicidade, que com o Papai formam a grande família que sempre desejei para mim!

Neste último ano você passou por momentos difíceis, desafiadores... precisou colocar para fora alguns sentimentos e finalmente quis me pedir ajuda para questões da escola que você queria que eu acompanhasse mais de perto. Uma menina que sai voando mas que precisa de chão, e quando esta necessidade vem, não hesita em avisar. Fui percebendo seu pedido, sua necessidade de me ter mais perto para coisas que eu achava que já eram do dia a dia, e isso foi uma grande lição para mim. Você, Paulinha, me fez renovar muitas vivências com seu livro da família, que estou sonhando em ver o quanto antes... reconstruiu a história do Vovô no sertão, da imigração da Batchan e Diitchan, retomou a linha de vida de sua família espanhola... como sempre, viveu tudo intensamente.

Minha sagitariescorpiana filha, minha luz, meu desafio, minha aprendizagem, minha filha. Paula, Paulinha. Minha Bauichi, Bauichinets. Te amo intensamente e todo dia 22 do novembro celebro a maravilha do mundo, da vida, da vinda da nossa Paulinha para nossas vidas.

Parabéns minha filha.

Mamãe.

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