Você lembra da viagem que fez com 7 anos?

Eu em Penedo em 1989 (à esquerda) e 2015 à direita.
4 dias de descanso, 4 dias. O único tempo de nós 4 juntos já que diferente de nós, o Miguel não tem férias agora em julho. Procurei, procurei, olhei, vi São Luiz do Paraitinga ("Não, muito parado essa época do ano..."), Monte Verde ($$$$$ me afastou rápido), Campos do Jordão (tudo lotado), procura que procura até que lembrei da sugestão de minha mãe: "Mimi, por que vocês não vão para Penedo?"

Penedo. Penedo... Penedo? Sim, Penedo (RJ). Na hora me veio à mente a lembrança de viagens de infância, idas com meus pais e o Nanan para um hotel fazenda em Itatiaia, escapadas para Penedo. Chocolate, casa do chocolate, cachoeiras, montanhas. As lembranças antigas são algo que cada um constrói de maneira muito particular e de alguma forma sempre fui retomando uma a uma ao longo do tempo como se fossem meu pequeno tesouro. Ainda assim, nunca conseguimos reter todo...

Viagem decidida, comecei a compartilhar com meus pais os nossos planos, e os dois ficaram bem animados com minha volta a um lugar especial de minha infância. Encontrei com o Nanan e disse: "Nanis, eu vou para Penedo!" Cara de paisagem, sorrisinho... "Penedo?" "Nanis, você não lembra?" Sorriso acanhado... "Casa do chocolate Nanan!!??". Humm... não lembrou. Eu não podia acreditar. Tão forte (ou mais) quanto o que eu lembro da minha viagem de infância é a presença do meu irmão ao meu lado, meu pequenino, meu cachinho comigo. E ele... não lembrava???? 

Um pouco antes de ir encontrei fotos antigas da viagem e pude mostrar para Paulinha e Luismi, que se animaram bastante em rever um lugar importante de minha infância (fomos para lá mais de uma vez quando eu era pequena). Estas fotos de alguma forma nos acompanharam em nosso percurso a esta viagem que foi muito, muito especial. Sim, eu voltei à Casa do Chocolate e como podem ver nas fotos acima, pouca coisa mudou, não só na fachada, como também no sabor dos chocolates, que continua incrível. Depois, vimos uma foto em um quadro da casa dos meus pais onde aparecia a "Casa encabulada". Achamos a tal casa! E fomos visitá-la, sabendo que antes era uma loja de artesanato (talvez por isso o registro da visita) e sabendo que hoje é uma loja de roupas hippies. E que, infelizmente vai fechar pois o dono quer dar lugar a outro tipo de construção mais rentável... triste...

Pois bem, ao longo da viagem fui mandando algumas fotos ao Nanan com a esperança de reavivar a memória dele e conforme fui recebendo emojis envergonhados mostrando que ele não lembrava mesmo do que eu estava falando (ele tinha cinco anos na época da primeira viagem para lá) o Miguel me perguntou: "Então será que o Luismi não vai lembrar desta viagem daqui a alguns anos?" Que pergunta!!!! Como imaginar que aquele rapazinho lindo na nossa frente, tão empolgado e apaixonado por cada pedacinho da nossa viagem poderia daqui a uns tantos anos não lembrar do que tinha feito? Como ajudá-lo a reter aquelas vivências? Elas um dia seriam lembranças dele mesmo ou seriam algo recontado pela Paulinha? Impossível saber... o que eu sei, como mãe, e como irmã de dois menininhos que foram pequerruchos para Penedo, é que independentemente de se vão lembrar ou não do que viveram, aqueles momentos são essenciais e fundamentais, para construir uma infância feliz e plena, e assim, para acompanhar cada um deles no crescimento e no resultado do que são hoje (um homem lindo e maravilhoso, com sentimentos enormes de respeito e cuidado com sua família... um amante das trilhas e das aventuras) e daquilo que serão daqui a um tempo (como será meu Luismi?????????).

Eu na Cachoeira Véu da Noiva em Itatiaia, em 89 e hoje.
Como podem ver, essa viagem mexeu demais comigo. Mexeu também muito com a Paulinha e Luismi e muito com nosso Miguel, que adentrou conosco neste mundo de montanhas e cachoeiras que cativam de uma maneira especial. Foi lá em Penedo que eu senti muito forte um chamado, o chamado das agulhas negras de Itatiaia de que tenho que conhecê-las um dia, vi imagens das Prateleiras de Itatiaia e para mim agora é fundamental ir e conseguir chegar até o ponto onde eu possa vê-las. Se eu vou lembrar delas quanto tiver 85 anos? Não sei, mas a subida até lá certamente me fará um alguém muito melhor, com a lembrança, e sem ela também, porque o que vivemos, lembrando ou não, sempre fica guardado dentro de nós. Obrigada Penedo, obrigada Itatiaia, me espere que eu volto já!!!!

Para saber mais das belezas naturais de Itatiaia (e o que são as prateleiras que eu quero tanto conhecer): http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html

Comentarios

Entradas populares