Mirtas


Hoje tivemos aula com as Mirtas, Mirta Castedo e Mirta Torres, sobre teorias de alfabetização e foram momentos muito, muito intensos, de uma profundidade, de um cuidado com o que diziam e compartilhavam que foi uma lição de vida. Quando começamos a pensar nas pesquisas psicogenéticas da Emília Ferreiro e Ana Teberosky minha cabeça começou a dar tantas voltas que não sabia como fazê-la parar (se é que isso seria necessário...)

Como professora fiquei pensando em tudo que vivemos em sala de aula quando nossos alunos apresentam hipóteses tão distintas sobre a escrita e é preciso repensar uma e outra vez as intervenções, como formadora de professores pensei em toda discussão que faço no curso de formação sobre essa pesquisa e como posso contribuir com muito mais a partir desta aula de hoje, como mãe pensei como é único e especial ver todo este processo acontecendo em casa, com seus próprios filhos.

Paulinha já escreve alfabeticamente desde o começo do Grupo 3 (5 anos) e entre o final do ano passado e começo desse deslanchou de um jeito incrível na leitura – em português e em espanhol. Como bem disse Mirta, às vezes parece que estes filhos de professores aprendem “sozinhos” mas não tem nada de solitário no processo que vivem e o Luismi é prova disso. Desde ano passado, com 4 anos, escreve silabicamente com valor sonoro e sei que grande parte desta conquista enorme se explica pela Paulinha e sua parceria constante com o irmão querido... nunca esqueço que quando Luismi passou a escrever dessa forma linda, e eu fui demonstrando minha admiração pela conquista, minha filhota em meio ao seu mundo alfabético me olhava pensando: “mas por que você acha legal ele escrever errado???” e tivemos uma conversa para que entendesse que um dia ela também tinha pensado daquela forma... ter guardado suas escritas de 4 anos me ajudaram bastante nessa conversa...

Hoje em dia minha pequena construtivista já entendeu muito desse mundo da diversidade... Essa semana, quando me contava sobre a escrita feita em parceria na escola Paulinha me disse:  “Mamãe, é assim, a Anelise disse que eu não posso ficar falando as letras para minha amiga, que eu tinha que ajudar, aí quando ela queria escrever eu perguntava uma palavra que ajudava, eu escrevia a palavra e ela via o que ia escrever!”

Ah! As maravilhas de umas palavras que um bom construtivista entende e muito!!!!!

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