Primeiro dia de mestrado
Já estou em La Plata... é uma
cidade linda, pequenina e cheia de parques por todos os lados. É lindo de se
ver, mas como convida a pensar em crianças, meu coração aperta bastante. Algo
que me ajudou muito foi quando conheci a Chris, amiga da Giuly que está aqui
fazendo o mestrado e que também é mãe; recém me conheceu e falamos da saudade
(claro) e ela disse: “Eu acredito que preciso ficar bem, para eles ficarem bem”
ao que respondi “Não, mas na frente deles eu fiquei bem” e ela me disse: “Não,
mas mesmo longe, mesmo de longe acho que transmitimos algo para eles, e por
isso é preciso ficar bem...”. E aquilo me tocou fundo... Decidi, quer dizer, decidi
tentar, a ficar bem e firme aqui, para que a Paulinha e o Luismi só recebam meu
amor, minha tranquilidade e a paz que quero que sintam desde aqui.
E claro, como não poderia deixar
de ser, algo hoje no começo do curso me fez pensar em tudo isso, e vindo da
própria e mesmíssima Mirta Castedo, que disse: “Vamos ocupar o tempo aqui,
porque se vocês tiverem tempo para pensar no que deixaram para trás, realmente
não vão aguentar”. Parece uma frase simples, mas naquele momento meu olho
encheu de lágrimas, porque ouvir de alguém que admiro tanto aquele
reconhecimento de que sim, estou aqui valorizando minha formação mas que claro,
existe um mundo para além disso, que no meu caso é a família, me emocionou
profundamente.
Hoje o que tivemos de aula foi
bem pouco, mas a primeira conversa com Mirta Castedo foi algo que encheu minha
alma de educadora de realização, de vontade, de força, de nem sei mais o quê.
Porque lá estava ela, a mestra, alguém que fez e faz muito pela educação, que
tem um nome já consolidado, uma carreira construída, de pé em uma sala de aula
com janelas pintadas para não entrar a luz, cadeiras cobertas de poeira, com um
computador quase sem teclas, falando da paixão pela carreira que se iniciava,
contando tudo o que fez para convencer a Emilia Ferreiro a falar conosco (“Ela
topou vir por duas horas, mas coloquei 3 horas no cronograma, vamos conversando
e fazendo ela ficar...”) e com os olhos brilhando ao apresentar o que viveremos
nesses próximos dois anos.
É impossível não deixar-se contaminar
por esse sentimento, por essa generosidade, por essa entrega ao trabalho. E, ao
mesmo tempo em que nos dizia do trabalho que teremos, das escritas que teremos
de fazer e tudo mais, nos contava que por favor não sobrecarregássemos a
professora que estava substituindo a secretária porque está grávida e “aquí nos
cuidamos mucho, ya veréis”.
Sem palavras.
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