La Plata - a chegada



Acordei bem cedo, se é que se pode dizer acordar, porque antes de uma viagem como essas é  impossível descansar completamente. Para contribuir, fiquei preocupada com o término do horário de verão e se meu alarme tocaria mesmo na nova hora... enfim, deu tudo certo. Cumpri minha palavra e me despedi da Paulinha e do Luismi, mas os dois não conseguiram acordar, Paulinha abriu um pouco os olhos, mas o Luismi nem sequer se mexeu.

No aeroporto, enquanto esperava o meu voo percebi que na correria tinha deixado meu livro de literatura em casa, ou seja, precisarei comprar um o quanto antes pois não consigo ficar sem minha leitura para antes de dormir. Na verdade esqueci o livro por ter mudado de ideia quanto ao que trazer... na última hora acabei desistindo de trazer o “Morte súbita”, da J.K. Rowling, que ganhei de natal do Nanan porque apesar de estar nos capítulos finais percebi que é uma leitura um pouco pesada: personagens todos com caráter duvidoso e o mar de ações só desemboca em atitudes que realmente deixam muito a desejar (mas que mesmo assim me fisgou totalmente, não consegui parar de ler)...

Foi quando o Miguel me mandou uma foto dos filhotes, recém acordados, com a caneca de leite nas mãos, mandando-me um bom dia. Foi instantâneo, meu olho se encheu de lágrimas, olhei para a escada rolante e pensei comigo mesmo: ainda há tempo para voltar para casa. Juro que por uma fração de segundos eu senti que era isso mesmo o que eu deveria fazer, esquecer curso, reserva, voo, estudo, pegar um táxi e sair correndo para encontrar meus filhos, abraçá-los bem forte e ir andar de bicicleta no parque. Que difícil! O que me segurou foi pensar no Miguel, em como naquela nossa conversa de 2 horas, quando falei da vontade de fazer o mestrado em La Plata ele fez uma parceria incondicional comigo, dizendo que estaria comigo firme, forte, presente. Ele é um pai formidável e sei que vai cuidar muito bem dos meus pitucos. Aí lembrei das 4 tabelas de horários que fiz para todas as pessoas que vão me substituir nessas duas semanas, no cardápio de alimentação, nas compras já feitas do lanche das crianças, da força dos meus pais, respirei fundo e disse: “Miruna, você vai conseguir. E a Paulinha e o Luismi também vão conseguir.”

E caminhei com olhos ainda molhados rumo ao avião laranja da Gol.

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