Malas, malas, malas...
Que ninguém pense que estou aqui fazendo algum trocadilho em espanhol com o título deste meu post. Estou falando de malas mesmo, dessas aí da foto, de viagem, as que pouco a pouco vão guardando a vida de uma família inteira, e com alguma dificuldade. Tenho em mente muitas lembranças da minha mudança do Brasil para cá. Naquela ocasião era só um quarto e mesmo assim demorei um tempão e lotei caixas que, ironia do destino, graças a Deus nunca consegui trazer para cá, porque senão estaria ainda em mais apuros que agora. Naquela mudança tive a preciosa ajuda dos meus pais e do Nanan, que me ajudaram a selecionar, organizar, encaixotar, carregar e guardar cada uma das minhas coisas. Até fiz um mercado para as pessoa levarem o que eu não ia guardar nem levar e mesmo vendo amigas lotarem seus porta-malas (né Leka?)com pedacinhos da minha vida, me sentia feliz, porque estava convencida da minha decisão e estava feliz com meu futuro casamento.
Esta minha segunda mudança é muito mais difícil. O sentimento que nos acompanha, ainda que seja de esperança, também tem tons de amargura e de decepção e isso nunca é bom. Agora estou fazendo tudo sozinha e isso sim que é muito mais difícil (ainda bem que depois de tantas viagens Espanha-Brasil aprendi algumas das técnicas Rioquíssimas para fazer uma mala cabendo o máximo possível de coisas), e em alguns momentos, como hoje quando fiz a 6ª mala (só tenho crédito para mais uma), bate um desespero.
Uma mudança é sempre algo intenso, mas mudar de país, ter limite para poder guardar suas coisas, sua vida, é muito pior. Olho para as pequenas coisas que vão ficando para trás e fico lembrando de cada coisinha que fui escolhendo para preencher o meu lar espanhol. É pirex que mesmo comprado aqui é made in Brazil, é bugiganga presente de ex-aluno, é roupa que nunca mais usei, são tantas coisas. E muitas terei que deixar para trás...
Hoje, lendo o blog da Dedé, percebi que enquanto vivo em meio a essa bagunça aí da foto, um pouco aterrorizada de fazer tudo sozinha, cheia de feridas por tantas coisas que passei e ainda passo, existe todo um mundo paralelo, o das pessoas que nos estão esperando, cheio de felicidade, esperança, alegria e principalmente euforia. Espero que todos estes sentimentos de todas essas pessoas que nos amam, aos 4, nos envolva, nos engula literalmente, quando possamos por fim pisar a terra brasileira. Necessitamos urgentemente energia positiva.
Malas, aí vou eu de novo. Desejem-me sorte.
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Comentarios
Hahaha
Te falo nada como estar em casa.
Tranquila tudo vai dar certo.
Muitas coisas boas para vocês.
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