Um novo olhar sobre a cidade
Ontem estava lendo uma reportagem que minha mãe mandou, da Revista da Folha, chamada exatamente como o título deste post. Na mesma se relatavam histórias de pessoas, famílias, casais e solteiros, que moraram fora de São Paulo e por diferentes circunstâncias voltaram para a grande "selva de pedra". E como este processo de sair e voltar mudou a perspectiva sobre a cidade que não para...
Isso me fez pensar muito porque outro dia mesmo, na rápida visita de meu pai, estávamos falando sobre isso, que apesar de todo o sofrimentos vivido que me fez chegar à situação de voltar à São Paulo, essa foi uma vivência muito importante, porque caso eu não tivesse saído de Sampa, sempre ficaria com aquele sentimento de como poderia ser minha vida fora dali. Porque a verdade é que diferente dos meus pais e do Nanan, eu nunca gostei de São Paulo, sempre chorava quando terminava uma viagem e voltávamos para casa e sempre dizia que ia morar fora e teria filhos em outro lugar. Pois bem, cumpri com minha palavra, mas tal e qual as pessoas que participaram da reportagem, eu também mudei muito minha perspectiva da minha "cidade natal".
Quando cheguei em Sevilha apenas via a beleza da cidade, com seus monumentos, pontes e rio, via apenas a praticidade de ir a todos os lados andando, não ter que ir de carro para quase nenhum lugar e viver em uma cidade onde 10 minutos antes da seção, se pode tranquilamente conseguir uma entrada para o cinema, qualquer que seja o filme.
Com o tempo fui vendo que morar em uma cidade em que se pode ir andando, o que quer dizer, cidade pequena, tem o incoveniente da falta de privacidade; é muito fácil esbarrar nas pessoas e parece que todo mundo sempre sabe o que você está fazendo ou vai fazer. Percebi que morar em uma cidade pequena limita as suas possibilidades em todos os sentidos; não se pode esciolher muito a creche pro seus filhos porque não existem muitas para escolher, não se pode ver os filmes que você quer em versão original porque existe apenas um cinema, bem cult, onde os filmes são legendados. E percebe que a variedade de espetáculos e acontecimentos é bem pequena, em primeiro lugar porque tudo vai para Madri ou Barcelona e em segundo lugar porque mesmo se viesse, não faria muito sucesso.
E com este último ponto chego ao que mais me passou a atrair em São Paulo morando fora dela: a variedade, as oportunidades, a opção de escolher. E percebi que quando se vive em uma cidade assim, a mentalidade das pessoas também está sempre aberta ao novo, ao diferente, a buscar as novidades, a sair da rotina (claro, porque a rotina em São Paulo é bem estressante). Aqui em Sevilha, no entanto, 85% dos sevilhanos acreditam que Sevilha é a melhor cidade do mundo e que o melhor é fazer o mesmo todos os dias, porque faço tranquilamente e isso é o que existe para fazer...
Lendo a reportagem voltei eu mesma para dentro de mim, descobrindo sentimentos muito parecidos dentro de mim desde que saí de São Paulo... porque saindo consegui perceber o que é que sempre me atriu dali, mas que eu não conseguia ver: a novidade, as possibilidades, a variedade, e especialmente, a mentalidade do Paulistano.
Consegui perceber que morando fora fui capaz de colocar em uma balança a importância de ccada coisa, de Sevilha e de São Paulo; e o resultado, mesmo com todos os defeitos de Sampa, é que o que eu quero para mim, para meu marido e para os meus filhos é viver mesmo nesta grande, barulhenta e enorme cidade, chamada São Paulo.


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Comentarios
você será muito bemvinda aqui e muito feliz. e fico mais feliz ainda de ver o quanto vc aprendeu!
e vem logo!!!
Desculpe por me intrometer aqui em seu blog, depois de tanto tempo sem comunicação. Mas é que soube hoje do seu retorno, após encontrar, por acaso, seu pai e seu imão em um restaurante no Butantã. Eles me contaram esta novidade e, sinceramente, fiquei muito feliz. Por isso, resolvi manifestar esse sentimento de alguma forma. Espero que você e sua família tenham sucesso neste novo capítulo de suas vidas.
Beijos, Cynara.
Falando com o Genoino hoje, pude lembrar dos dias que vc ficava em casa conosco, há tanto tempo. Vc, a Cy e a Deb eram um poquito maiores que seus filhos o são hoje...
Bom saber que vc está voltando!!!!!
beijos, com muito carinho,
do Rubens.
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