Os piores segundos da minha vida
Ontem passei pelos piores segundos de toda a minha vida. Até agora estou como que tonta, com dor de cabeça e uma afliçao enorme no peito. Um medo do que poderia ter sido de mim se o que eu senti, fosse mesmo de verdade.
Ontem fomos ver uma procissao extraordinária, dessas que o Miguel e a Paulinha amam. Fomos com os amigos de sempre e tudo ia muito bem, Paula feliz como sempre, os amigos e as risadas de todos os dias, eu tranquila com meu Luísmi em paz. Paramos em uma pracinha, que por sinal tinha um bar brasileiro, cheio de brasileiros tomando caipirinha, e lá ficamos esperando para ver o tal passo. A Paulinha estava toda feliz, indo de um colo para o outro, escutando a banda, vendo o passo. Eis que estou lá, na rodinha de amigos e meu coraçao quase pára com a pergunta: "Cadê a Paula?".
Meus olhos percorreram todos os possíveis braços, Miguel, Nanan, Jorge, Eloy, em um segundo, e nenhum deles tinha minha filha em braços. Eu olhava pelo banquinho onde ela estava e nao via nada e naqueles momentos só conseguia pensar que o pior dos pesadelos tinha acontecido, que tinham levado minha filhinha.
Eu já estava gritando, todos os outros meio que em choque, quando meus olhos, tal e como um radar, viram ao longe os sapatos cor-de-rosa da minha Paulinha, no colo de um amigo do Miguel que tinha chegado há pouco tempo e alegremente mostrava a procissao para a Paula.
No mesmo instante coloquei as maos no rosto e só conseguia chorar e chorar. Nao olhava nada, nao sentia nada, apenas colocava para fora meu medo, minha angústia. E vem a minha Paula, trazida pelo pai, e começa a me dar beijinhos. Eu a abracei tanto, ela riu um pouco, deu uns "ais", uns beijinhos e depois de eu tanto beijar a abraçar já reclamou que queria descer para continuar a brincar. Fiquei com o corpo tremendo durante muito tempo, mal, só pensando naqueles segundos em que pensei que minha Paula tinha se perdido, nao estava onde deveria estar.
Hoje meu Luísmi completa 3 meses. Ele brinca feliz aqui do meu lado enquanto Paulinha está na creche. A gente se cansa, às vezes sofre, tem medo, angústia, mas é impressionante que depois que os filhos chegam na nossa vida, a gente sabe que a vida só tem sentido porque eles existem para a gente... e que nao podemos deixar escapar jamais!
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parabéns para o pequerrucho
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