Ser mãe

Infelizmente meus últimos posts aqui nao foram tao felizes como eu gostaria, mas hoje vai ser diferente. Nao que eu tenha deixado de sentir saudade de dar aula ou que ainda nao me entristeça com a perda da Marili, mas quando algo tao grandioso, maravilhoso, impressionante, e infinitamente feliz acontece na nossa vida, como é ter um bebê, tudo ganha outro sentido.
Nos momentos mais duros a gente sabe que é fundamental para um serzinho, sabe que nao pode chorar porque é preciso fazer aquela coisinha linda rir e sabe que a sua pequena é a nova razao da sua existência. E a cada dia vai descobrindo que se por um lado tenho que estacionar minha carreira de pedagoga, por outro a cada dia faço um máster na aventura de ser mãe. E um máster que inclui dar uns beijos muito gostosos numa bochecha muito fofa, dar uns "cheiros" daqueles no cangote gostoso da minha Paula, colocá-la no seu tapetinho clorido e fazê-la nao somente rir, mas gargalhar, vendo-a com o mesmo olho de arco-iris que já me disseram que tenho quando dou risada, conversar com meu bebezinho, contando de tantas coisas, tantos sentimentos, ajudando-a a entender este mundo em que está. E inclui dar de mamar.
Enfim, o tema de hoje, dar de mamar. Talvez todas as outras coisas que escrevi aqui, outras pessoas poderiam fazer. Todos podem trocar a fralda, dar banho, fazê-la rir, mas só eu posso dar de mamar. É um sentimento estranho, porque em parte é absorvente porque parece uma continuaçao da gravidez, controlando tudo o que como e bebo, e sem poder estar mais de 4 horas longe da Paula, mas por outro é um momento único, porque é só meu, e dela. Mas claro, tem o lado difícil de nao poder fazer muitas coisas sem a Paulinha, nao poder sair sem ela... parece estranho, ainda mais para as que ainda nao tem bebê, pensar em que os pais querem estar sem seu bebê, mas às vezes a gente necessita um tempo para nós mesmos, para relaxar, pensar em outras coisas...
E um destes momentos é neste sábado, aniversário da Ju, que aqui teremos um casamento de um amigo do Miguel. Será durante o dia, o que significa que durará muuuitas horas, e será bem legal porque vai toda nossa turma de amigos... um momento em que estar com um bebê é um pouco complicado: festa, música, barulho, agitaçao... e entao depois de muitas conversas e de consulta com a pediatra, concordei em deixar a Paulinha com os avós, com uma mamadeira com meu leite só neste dia, para podermos ir tranquilos. Claro que para isso era preciso fazer um teste antes, para a Paulinha tomar a mamadeira. Pois bem, feito o teste, nada feito, a Paula, conforme me contaram porque nestas tentativas eu nao podia estar presente porque ela sentiria o cheiro do meu leite no ar, recusou terminantemente a tal "teta de plástico", ficou brava, gritou, chorou e nao aceitou comer daquele jeito estranho. Hoje o Migui resolver fazer mais uma tentativa, desta vez com ele presente, e voltou da casa dos pais dizendo que nao, que nao tinha jeito. E me deu a Paulinha no colo.
E lá veio ela e mamou tao gostoso, olhando para mim o tempo todo, como que dizendo: "Ah, Mamãe, assim é que eu gosto". Super tranquila, com as mãozinhas no meu peito, às vezes parando um pouco, manhosando, rindo para mim... O Migui nao se conformava! E resolveu ver se comigo ela tomava a mamadeira... colocamos o suquinho de laranja dela e... nao é que ela mamou! Direitinho, numa boa, tranquila e feliz. O Miguel nao podia acreditar!!!! Eu, enfim, fiquei feliz... foi como se naquele momento a Paulinha estivesse me dizendo e me mostrando o meu lugar único e exclusivo como mãe dela, como se estivesse dizendo para o pai (sim, porque mamando na madeira ficou olhando pro Miguel), "comer é com a minha mamãe". E aí foi engraçado, ele meio nervoso e eu rindo à toa.
Para mim este momento foi como uma declaraçao de amor da minha filha, foi como se ela me mostrasse com seu gesto que nós, mães, somos assim de insubstituíveis.
Claro que ela vai um dia deixar de mamar no peito, vai se acostumar com a mamadeira e vai tranquilamente mamar das mãos de outras pessoas. Mas já nada nem ninguém poderá apagar a emoçao deste momento de hoje, vendo que minha filha, minha Paula, só aceitava a mim para dar o seu leitinho e o seu suquinho... Parece mentira que depois de carregar um bebê durante 9 meses, cuidar durante quase 5 meses as 24 horas do dia, ainda seja preciso uma prova de que sou a mãe da Paulinha... mas esta história de maternidade é intensa e confusa, maravilhosa e misteriosa, e no coraçao de uma mãe às vezes passa esta necessidade de que nosso bebê reafirme o nosso lugar, a nosso status de mãe. Aconteceu com a minha própria mãe comigo, numa estágio bem mais complicado, e agora conteceu comigo.
E o casamento, o que vamos fazer? Ah, nem me importa, para mim tanto faz. Depois de tudo isso, o mais importante já mostrou o seu lugar...
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Comentarios
muitos beijos e amor pras duas! e agora vou ler seu email...
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