Fim

 


No final de 2009, quando eu tinha acabado de voltar pela segunda vez para a Escola da Vila depois de minha jornada na Espanha, a querida Vânia Marincek me chamou ali perto da escada que sobe para a biblioteca e me disse: "Ano que vem você vai pegar uma turma de 3º ano!". Eu fiquei muito chocada e com um pouco de medo, afinal sempre me achei aquela professora que só pode estar no 1º ano, no máximo no 2º ano, e perguntei a ela o motivo de me tirar das minhas séries amadas. Ela me disse: "Porque você é muito boa e pode dar conta do novo, eu sei disso." Pois é, ela tinha razão. Eu consegui também ser professora de 3º ano e passei a amar profundamente esta série (sem nunca ter deixado de venerar meus amados 1º e 2º ano).


Hoje, 15/12/2021, dia em que finalizo uma jornada de 7 anos de aluna, 1 ano de estagiária, 1 ano de auxiliar, 10 anos de professora, 3 anos de orientadora e mais 3 anos de coordenadora da Vila, eu lembro deste pequeno episódio para dizer que nesta escola o que eu mais aprendi foi a não ter medo de me arriscar e tentar descobrir que podemos ser boas naquilo que nem imaginamos. E que se não formos boas, tá tudo bem porque no coletivo a gente descobre o jeito de resolver os problemas.


Da mesma forma que a Vânia um dia quis me tirar da zona de conforto e me levar para uma nova série, eu mesma achei que precisava fazer isso comigo mesma, sem esperar alguém me empurrar para isso. Para a pedagogia foi meu pai que me puxou quando o medo de vestibular me deixou desnorteada, para Sevilha minha mãe me encaminhou quando achava que eu era nova demais para tanta responsabilidade, e depois de atravessar uma pandemia e pensar muito, muito na vida, na minha família e fazer 40 anos (sem a festona que sempre sonhei em dar...), achei que era hora de eu mesma me puxar para trilhar outros caminhos.


Por isso chegou ao fim meu percurso trabalhando na Escola da Vila.



Carrego comigo muita, muita gratidão a tudo que aprendi neste lugar, a todas as relações que pude construir, as de verdade, as que nos fazem dizer a verdade, sempre, mesmo sendo difícil às vezes de ouvir. E carrego meu amor pela Vila que me fez crescer, que cuidou de mim quando mais precisei, e que fez muito por meus filhos.


Saio daqui levando muito, grata por todo carinho e meu amor que recebi nesta etapa final, e deixando um bem muito precioso que ainda me conecta à Vila: o Luismi, que segue aí com todas as pessoas lindas que cuidam deste lugar.

Obrigada a todo mundo, mesmo, por tudo, por tanto.
Obrigada Escola da Vila do bananal, da ruazinha, da rodoviária, das pessoas, das gentes todas.
Obrigada!


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