O caçula e eu

Eu e meu caçula. Meu caçula e eu. Só nós dois.

Este é o grande resumo desta semana... somos só eu e o Luismi aqui no nosso apartamento, algo que não vivíamos há muito, muito tempo; pensando bem, não sei se alguma vez ficamos assim só nós dois, tanto tempo.

Nosso Miguel continua longe, cuidando das suas feridas e da dor de sua família na Espanha e todo o contexto não facilita nossa comunicação intensa: fuso horário de 5 horas, eu voltando a trabalhar, ele vivendo momentos duros e intensos, tanta coisa! E a saudade só aumentando.

Paulinha essa semana está vivendo um grande sonho. Depois de um ano de espera finalmente, graças ao "Vovó-trocínio" conseguiu participar do acampamento esportivo feito pela escola junto com os professores de educação física. Como nossa mais velha aguardou por esse momento! Arrumou a mala com esmero, pensou em cada detalhe, conversou, discutiu, argumentou ("Mamãe, não me liga tá? Vai que eu estou fazendo alguma coisa legal..."), se embrenhou ao máximo em tudo o que foi preparar-se para esse desafio: 5 dias longe de casa, sem nem telefonemas para ajudar com a saudade.

Eu e meu caçula, meu caçula e eu. Então ficamos só nós dois aqui...

Para mim e para ele esta vivência está sendo um grande desafio. Somos muito grudados, nós 4, somos um núcleo muito forte e compacto, e de repente tudo parece grande. O apartamento parece grande, o carro é espaçoso demais, sobra lugar, sobra pizza, sobra cantinho no sofá. Mas a gente vai se re-aconchegando.

No primeiro café da manhã de dois, uma surpresa! Luismi decidiu organizar toda a mesa para mim e ganhei esta lindeza de cena:


Meu fofucho fez toda uma preparação, com dobradura de guardanapo incluída, para inaugurar aquele momento onde estaríamos só nós dois, e lá sentamos e ficamos conversando sobre a semana, as dúvidas, pensamentos, a saudade... "Mas eu já estou com saudade da Paulinha, Mami... Quanto falta para o Papai voltar? Eu estou com muita saudade dele..."

Por outro lado meu pequeno tem tido a oportunidade de ocupar um lugar muito diferente, esse lugar de filho único e exclusivo que ele nunca teve na vida. Não precisa disputar o controle remoto com ninguém, nem precisa ver filminhos que não gosta tanto. Não precisa brigar pelo meu colo que de tão disponível agora parece até mais "dispensável" e quando está com os avós se esparrama todo naquele cantinho onde dois dias atrás ele lutava com a irmã pedindo para ela sair e deixar ele ficar lá sozinho. Mas ainda assim, mesmo depois de toda esta exclusividade, lá vem o pequeno e diz "O que a Paulinha está fazendo agora? Ela já foi dormir?". Quanta ansiedade nestas perguntas!

Nossa família vive um momento desafiador. É um momento de inseguranças, de saudades, de distâncias e de tristeza, muita tristeza, pela partida do Avô dos meninos, do pai do Miguel. Mas por algum motivo estamos seguindo o rumo, sempre batalhando para encontrar um sorriso diante de qualquer pedacinho de momento... ainda não nos juntamos os 4 depois que tudo aconteceu, mas cada um vai se segurando como pode, junto ou separado, para conseguir respirar fundo e voltar a sentir aquela paz de Penedo, que aconteceu há tão pouco tempo e parece já tão distante.

Bem, enquanto isso seguirei com meu pequeno caçula. Meu caçula e eu...

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